COLUNAS | Vamos ver o por do sol? » JOVEM HITS
28-10-2015 » Do calor 22-10-2015 » É conspiração do destino, amor 22-10-2015 » Vem fazer festa no meu quintal 22-10-2015 » Detalhes da vida 22-10-2015 » Parece que você esteve aqui 22-10-2015 » Resquícios de nós dois 22-10-2015 » Preciso dos teus lábios 22-10-2015 » Vamos ver o por do sol? 22-10-2015 » A dor da despedida 22-10-2015 » Apenas preciso de você
10931063_681546708639278_1547898390821156225_n
22 de outubro de 2015

Vamos ver o por do sol?

– Está sentindo?

– O que?

– Meu coração

– O que tem ele

– Está parecendo um liquidificador – ele falou sorrindo.

– Moço, será que você vai morrer – ela não aguentou: começou a brincar com a situação. Falou com um sorriso de canto de boca, daqueles que você não consegue definir se a pessoa está falando a verdade ou se está caçoando da situação.

– Sim – ele respondeu, – acho que vou morrer… mas não deve ser agora, não se preocupe.

– É mesmo? Já sabe até quando vai morrer? – ela falou sorrindo. Seus olhos brilhavam olhando para os dele. Ele se encantava.

– Você não sabe? Comprei uma bola de cristal semana passada – o semblante sério dele não enganava ninguém. Ele se deixava levar por ela.

Antes de começarem essa conversa, eles assistiam a um filme. Ele estava achando meio, sem graça, já tinha se perdido entre a leitura das legendas e as cenas de ação e emoção. Estavam no sofá-cama da sala. Ela, com a cabeça encostada no peitoral dele e sentido o restante do corpo dele com sua mão esquerda. Ele fazia nela um cafuné, viaja pelas linhas do corpo da sua moça.

O coração dele estava realmente acelerado. O motivo? Talvez nem ele mesmo saiba. A única coisa que importava não era o filme e sua trama, não era o som da noite ou o brilho da lua cheia que parecia querer entrar pela janela. Importava ela. Importava aquele momento. Importava os dois estarem juntos. Era o que ele pensava.

Ele se encontrava no silêncio da turbulência de tantos pensamentos. Revia sua vida, sua história. Descobria que tudo o que queria era amar aquela mulher que tinha em seus braços. Fazia daquele momento um instante único. Não cabe aqui contar toda a história pela qual vivenciaram para estarem juntos. Cabe apenas dizer que este momento era a consolidação de uma história de luta e enfrentamento de realidades totalmente distintas.

Filme? Ele não queria saber de filme. Queria beijar sua moça, queria tirar sua camisa, arrancar sua calça de algodão. Queria amá-la: ali, naquele momento, sem perder muito tempo, mas querendo parar o tempo para que as estrelas se tornassem expectadoras deste instante. Coração liquidificador? Pura desculpa! Desculpa esfarrapada para tirar a atenção dela de John Travolta e ganhar pra si. E conseguiu. Desde a primeira indagação, os olhos dela voltaram-se para os dele. E ele perguntou mentalmente olhando pra ela: “Como resistir a esse mel que chamam de teu olho?”.

– E o que essa bola de cristal anda dizendo a você mocinho? – indagou.

– Muitas coisas. Coisas que… sabe, é melhor não dizer, você pode ficar ainda mais apaixonada por mim. Não sei se vou aguentar uma mulher melosa do meu lado.

– O quê!? – foi um misto de pergunta e exclamação. Ela riu. Uma gargalhada de leve. Um tapa de leve. – agora vai ter que falar! Ande! Ou fala ou eu belisco – ameaçou com sorrisos.

– Ok, eu falo – ele esticou a camisa –. Acho que tenho uma revelação a te fazer.

Eles se sentaram. Ficaram um frente ao outro. A conversa parecia tomar um rumo um pouco mais sério, bem diferente do momento anterior. Cruzaram as pernas. Ela começou a movimentar as mãos – estava nervosa agora. Ele parecia ter ativado a tensão nos braços dela.

– Nós já estamos juntos há algum tempo – ele começou – e de uns meses para cá tem acontecido algumas coisas. De antemão já quero pedir desculpas por não ter falado nada antes. Não sei se o que tenho pra te falar será tão fácil assim: tanto pra falar quanto pra você ouvir.

– Para de suspense, o que pode ter acontecido? – ela estava tensa. Suas mãos suavam, seus olhos estavam congelados nele, suas pernas rígidas – Conte logo!

– Certo… – ele abaixou a cabeça, como se estivesse tomando coragem. Respirou fundo e deu prosseguimento – espero que me compreenda. Neste período que estamos juntos eu conheci outra mulher. Uma mulher incrível. Ela se revelou totalmente diferente do que eu já tinha encontrado em você, e vivemos coisas que antes nós não tínhamos vivido. Desculpa-me falar assim, mas você me obriga a ser tão sincero – ele um ar rígido a conversa, mas também serene –.

– Não estou entendendo o que você quer me dizer… Alias, estou: você conheceu outra mulher! É isso mesmo? – ela falava indignada.

– Calma, meu amor, deixa eu te explicar.

– Estou estarrecida, isso sim.

– Eu te compreendo, mas me escute.

– Estou ouvindo, mas não estou acreditando no que meus ouvidos ouvem.

– Desculpe-me, mas os beijos dela se tornaram muito mais especiais. Os abraços dela se tornaram ainda mais intensos. Os sonhos com ela se tornaram ainda mais possíveis. A vida parece ter tido um colorido a mais.

A essa altura ela derramava algumas lágrimas, tímidas, mas que escorriam pelo seu rosto redondo. Algumas lágrimas chegaram a seus lábios. Sua cabeça estava baixa.

– Meu amor…

– Meu amor? Como você ousa me chamar assim depois de dizer tudo o que me disse? – falava como se não acreditasse em tudo o que havia ouvido – Parece que tudo o que passamos juntos não valeu a pena. Parece que esses meses morando juntos não foram especiais. Parece que somente eu embarquei nessa aventura.

– Perdoe-me, mas é a mais pura verdade… Eu não consigo imaginar a minha vida sem essa mulher… Você realmente se transformou. Era uma menina, se tornou essa mulher espetacular. Desde que começamos a morar juntos, você parece outra: ainda mais especial, ainda mais intensa, mil vezes mais espetacular. Uma pessoa que consegue com simplicidade fazer com que as coisas tomem forma, e as impossibilidades não existam. Descobrir em você essa outra mulher, ainda mais incrível do que eu já achava que você era. Então… Eu só posso te dizer isso: fica na minha vida pra sempre? Vamos dividir a taça de vinho? Vamos comer pipoca assistindo filmes chatos? Vamos ver o por do sol? Vamos rir das nossas bobagens e dos cabelos emaranhados pela manhã? Casa comigo?

– Bobo… – foi o que ela conseguiu expressar entre o sorriso que despontava timidamente e as mãos que secavam lágrimas –.

– Pronto! Foi isso que a minha bola de cristal andou me revelando… Te amo!

– Também te amo, meu chato!