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28 de outubro de 2015

Do calor

Há sempre aqueles dias em que os deuses não têm misericórdia, em que as horas pesam e tudo ao redor inflama; o sol despido de qualquer modéstia mostra-se em sua força, mas nestes dias, eu queimo de dentro pra fora, quase acho que entre mim e o sol há uma cumplicidade, uma aura de desejo que nos une, ele arde em sua grandeza e eu, em minha voluptuosidade; entre nós a terra ferve.

Estes moços andando nas ruas, desfilando seus corpos suados, a gota que desce de leve pela nuca, fazendo um percurso que a minha imaginação tão bem desbrava.  Ah, de dentro de mim, um devaneio também escorre! Os risos largos nos lábios abertos de verão vêm cheios de promessas, deliciosas tentações. E tudo pesa novamente, porque o desejo oprime, aperta em slowmotion. Dos meus lábios escapa um suspiro ao acaso, na minha prece secreta eu murmuro: SUBLIME!

Em derredor de mim ninguém saca nada, sob os óculos escuros continuo minha exploração retalhando espaços, partes de corpos, buscando uma perfeita junção que sacie a minha fome imagética. O vento que arrepiou os fios do braço de um outro, as pernas insinuantes e o que mais antevejo pulsante sob uma bermuda de um terceiro… Ai de mim!

Tem ainda aquela divina criação: a masculina, viril e geometricamente encantada bunda! Está montado o quadro, está feita a cama! A minha respiração intensa, entrecorta, minha boca entreaberta é quase um pedido (a quem bem olhasse uma proposta mais ousada). Fico corada, nem pelo raio incisivo do sol e menos ainda por vergonha, é o tesão percorrendo os caminhos tão naturais que, no mesmo instante, o levam a arrebitar meus mamilos, contrair meu ventre, umedecer meu sexo e foder com a minha calma!  Meu riso aberto, saído do nada, me trai! Acho graça de como o mundo, ocupado e distraído,não percebe que gozo, depois de perverter as imaculados passantes em amantes vorazes.