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22 de outubro de 2015

A dor da despedida

– Talvez os meus dias não tivessem tido tanto brilho sem que houvesse tua presença. Cada momento juntos foi à luz dos momentos mais conflitantes – principalmente naqueles em que do trabalho eu chegava todo estressado e você, com o silêncio que sempre lhe foi peculiar diante das minhas lamurias, apenas me afagou a cabeça.

Recordo-me agora daqueles passeios que fazíamos aos domingos pela manhã no parque aqui perto de casa. Era nosso ritual semanal: caminhávamos de mãos dadas beirando o lago; sentávamos no banco admirando o horizonte; eu te olhava profundamente nos olhos faltando alguns minutos para as 10 horas; beijávamos-nos assim que o ponteiro marcasse às 10 – o mesmo horário que tempos atrás você tinha aceitado, toda tímida, meu pedido de namoro.

Sabe princesa, aprendi com você que o bom mesmo é viver da simplicidade. Você me provou na prática isso. Lembra aquele vestido vermelho de alcinha e pedras brilhantes – que não me lembro agora o nome, apesar de você ter repetido bilhões de vezes pra mim o nome dessas pedrarias – que você tanto gostava. No dia em que te levei à loja, todo bonachão disse-te que podias escolher qualquer vestido; mas você se encantou por aquele: o mais simples de todos, porém aos seus olhos o mais belo. Acho que foi nesse dia em que me dei conta que contigo o menos sempre seria mais.

Mas confesse meu amor, teus sorrisos sempre eram singelos, mas suas gargalhadas… suas gargalhadas sempre fizeram quarteirões ficarem de orelha em pé: eram altas e estranhas. Não, não estou reclamando, apenas abro esse parêntese pra te dizer que vou sentir falta.

Alias, tenho, neste momento, certeza de que sentirei muito mais falta de todas as coisas pelas quais sempre te reclamei, daquelas que influenciaram algumas das nossas tempestuosas brigas; porém proporcionaram nossas deliciosas reconciliações. Sabe aquela sua mania de lamber a latinha de leite condensado com o dedo, e a de iogurte também? Sua insistência em colocar os pés no chão frio pela manhã, não se importando na possibilidade de pegar um gripe, virose, sei lá!? Seu jeito todo estabanado de fazer nossos ovos mexidos e deixar a pia toda suja, como se tivesse feito um banquete para quinhentas mil pessoas? Então. Com quem agora vou reclamar assim que ver uma lata de leite condensado quase vazia? Com quem agora poderei demonstrar um ar mandão com pitadas de homem cuidadoso, preservando a saúde da mulher amada? Onde encontrarei alguém que faça ovos mexidos mais gostosos que o seu?

Perguntas sem uma resposta.

Sei que cada momento ficará na minha memória como algo que foi de suma importância para minha vida. Você foi uma daquelas tempestades que chegam de mansinho, crescem e, quando mesmo se espera, se tornam grandes, modificadoras. A grande diferença é que essa tempestade, que é você, não deixou rastro de destruição. Sim, organizou a bagunça – que eu achava arrumada. Engraçado como algumas coisas que achamos boas podem se transformar para melhor. Você foi isso: meu melhor!

Meu melhor riso, meu mais sincero abraço, minha mais sincera lágrima, meu mais profundo silêncio, a mais perfeita sobriedade e delírio.

Imitando-me com cara de durão, quebrou com sua pureza de água cristalina em vários pedaços minha “rabugência pedra bruta”. Se de bom humor eu já estivesse, você me transbordava. Você subia em mim, apertava minhas bochechas e fazia suas lindas caretas. Não me esquecerei de suas meninices. Seu jeito só meu de menina mulher levada.

Ver-te aí deitada de olhos fechados e saber que não poderei mais ver o brilho deles é o meu martírio. Perdão por não ter palavras neste momento para expressão o quanto você foi e é importante para mim. Você bem sabe que nunca fui tão bom com as palavras. Talvez prender-me nessas lembranças em que o seu sorriso foi sempre presente seja o que possa tornar essa despedida um pouco mais amena: sou a pessoa mais feliz deste mundo por te tido você ao meu lado, pela possibilidade que o universo me deu de nos enamorarmos.

***

Ele saiu daquela sala onde sua mulher estava. Onde teve a possibilidade de perceber a beleza da vida que ambos proporcionaram um ao outro. Derramou algumas lágrimas. Alisou o rosto e as mãos de sua amada. Despediu-se com um beijo em sua testa, o mesmo que sempre dava a noite antes de dormir.